Ao observar as imagens que compõem a exposição “Infra
As paisagens captadas por Gustavo Bettini estão, portanto, nuas, desprotegidas. Paisagens, muitas vezes, usuais, sem as roupas das cores que nossa retinas estão acostumadas a vê-las. Temos expostas fotografias que sintetizam a idéia das margens: estradas, águas, vidas, passagens. Mas, sugiro enxergarmos, que estamos também nas margens da película, do suporte: Gustavo Bettini usa um filme que já teve a comercialização proibida no Brasil, é raro, tanto revela cores quanto esconde outras. Um filme usado para enxergar danos à vegetação, revelar o real, despojá-lo. No entanto, o que se vê neste conjunto de imagens é um real, algumas vezes, nonsense, outras, ligeiramente surreal no desnudamento das inframargens – margens de um mundo infravermelho. O trabalho exposto revela um processo: um fotógrafo em busca de entender seu filme, tentar prever o resultado, ter seu foco “atrapalhado” pela luz infravermelha que desnuda, muitas vezes, a definição. Sugiro caminharmos por estas fotografias vestindo um olhar desprotegido, desnudando qualquer forma de proteção.
Thiago Soares
Jornalista e coordenador do curso de Bacharelado em Fotografia das
Faculdades Integradas Barros Melo (Aeso)
Curador da exposição